Extrema: Família tenta na justiça a liberdade de homem que teria sido preso injustamente

Redação - Cláudio Coutinho29 de novembro de 20197min0
O homem está preso há mais de dois meses aguardando a decisão da justiça

Um homem, identificado como Marcelo Santos Emídio que foi acusado de ter participado de um roubo no bairro dos Pedrosos, Zona Rural de Extrema está preso há mais de dois meses. Segundo boletim de ocorrência instaurado no dia 21/09/2019, por volta das 17hs no bairro dos Pedrosos, zona Rural da cidade de extrema, bairro pra frente dos Tenentes Rural, a PM foi acionada por uma família que teria sido assaltada nesse horário. O teor do BO cita que ao chegar ao local, os policiais militares obtiveram informações que o assalto fora praticado por quatro pessoas a bordo de um veículo Ônix prata e que segundo apurado junto às vítimas, as mesmas afirmaram que os bandidos estavam de “cara limpa” (termo usado para quem não usa máscaras). O relato diz que dois entraram na residência enquanto um terceiro permaneceu no portão e o quarto homem permaneceu na direção do veículo.

As vítimas declararam que foram levados pelos indivíduos R$ 7 mil reais, aparelhos celulares e notebook. Os PMs então teriam mostrado algumas fotos de alguns indivíduos que já responderam processos criminais e, segundo os policiais, em uma das fotos foi reconhecido Marcelo, o qual foi preso em flagrante no dia seguinte ao suposto roubo.

Imagens que podem inocentar

Conversamos com Dra. Patrícia Guedes advogada de Marcelo que disse ter feito um levantamento onde conseguiu imagens gravadas pelas câmeras de segurança tanto da Central de Monitoramento da Prefeitura de Extrema, quanto por câmeras de comércio local e mais a filmagem da praça de pedágio na Rodovia Fernão Dias, no município vizinho de Vargem – SP, que apresentam provas de que seria impossível Marcelo ter cometido o crime, pois o mesmo estaria no horário citado no BO em locais totalmente contrários ao bairro onde ocorreu o assalto, inclusive pela distancia e pela rota de estrada que separam a região central da Zona Rural. A advogada declarou ainda que as autoridades estão se apegando ao fato de que no passado Marcelo teve passagem nos registros policiais, e “estão esquecendo-se dos princípios básicos do Direito de que deveria ser feita a análise das imagens obtidas nas gravações e filmagens que comprovam que Marcelo não poderia estar ao mesmo tempo em dois lugares”.

Outro ponto que intriga a família é que as investigações pararam com a prisão de Marcelo enquanto as vítimas citaram quatro indivíduos.

As autoridades

Procurado por nossa reportagem, o delegado titular da Policia Civil da cidade informou que os investigadores refizeram o percurso do trecho entre o local do crime, passando pelas câmeras de monitoramento e chegando à praça de pedágio e concluíram que haveria tempo hábil para cometer o ato e se evadir. Com relação aos outros indivíduos o delegado disse que não há como prende-los porque não foram identificados pelas vítimas e como Marcelo alega inocência, certamente não citou outros envolvidos no crime e que o inquérito já está em poder do Ministério Público.

Fomos então conversar com a Dra. Rogéria Leme, responsável pelo MP da Comarca que afirmou categoricamente que os relatos que tem em mãos são suficientes para incriminar Marcelo.

Recursos jurídicos que podem libertar Marcelo

Em novo contato com a advogada do caso, Dra. Patrícia Guedes, a mesma informou que como não conseguiu a liberdade de Marcelo na Comarca de Extrema mesmo apresentando as provas que tem em mãos, procurou instancias superiores e no tribunal em Belo Horizonte esteve com o Desembargador Dr. Bruno Terra Dias que teria dito as provas consistentes apresentadas pela defesa são fortes argumentos que poderão determinar a libertação de Marcelo.

A defesa também alega que o crime, segundo consta no boletim de ocorrência, fora cometido às 17hs e neste horário Marcelo de acordo com as imagens de vídeo estava passando pelo portal sul sentido Mantiqueira, e segundo a testemunha, o carro com os suspeitos do crime saiu pela estrada que margeia a empresa Barry, e que dá acesso direto a rodovia Fernão Dias. “Ademais seria impossível fazer esse trajeto tão rapidamente, pois se trata de uma estrada de terra de difícil acesso, disse a advogada e acrescentou – solicitei ao delegado que verificasse as câmeras de segurança em frente à empresa Barry onde certamente está registrada naquele horário a passagem dos bandidos que cometeram o crime e não o Marcelo que estava em outro, mas infelizmente não fui atendida”.

Liliane, esposa de Marcelo falou a nossa reportagem que tentou explicar para o delegado que seu marido estava com ela o dia inteiro e segundo ela a autoridade não quis ouvi-la.

Vamos acompanhar o caso de perto e o que se espera é que a justiça seja feita. Se realmente ficar comprovada a culpabilidade de Marcelo, que seja aplicada a lei, da mesma forma que, se as teorias apresentadas pela justiça não forem comprovadas que o mesmo seja colocado em liberdade.

Veja acima as imagens obtidas pela família bem como abaixo um “mix de vídeos” extraídos das câmeras de vigilância.

Da Redação

Redação - Cláudio Coutinho